Festa
[Os três mosqueteiros também sopraram as velas]

Domingo foi dia de soprar velas.
Os meninos do Orfanato de Bulenga não sabem em que dia nasceram, nalguns casos só sabem o ano e é a partir daí que fazem contas à idade. Por isso, decidimos preparar-lhes uma festa de anos surpresa e, a partir de agora, 15 de Março passa a ser a data de aniversário de TODOS! Até mesmo dos pais adoptivos: os 3 mosqueteiros!!
Tiveram direito a balões, rebuçados, bolachas, chocolates, bolo de anos e refrigerantes. Foi uma festa de arromba com direito a música e dança, claro!
Sementes
[O cantinho da Lina e do Okwera Iinocent, nomeado jardineiro]

[O cantinho da Rita e de mais 40 vigilantes]

Este era um dos nossos grandes objectivos: plantar sementes.
Trouxemos melancia, melão, alface, cenoura, batata, feijão, nabiça, couve e até salsa.
É um pequeno contributo a longo prazo para que a terra do Orfanato de Bulenga dê algum alimento a quem nela vive.
Não sabemos se vamos ter muito sucesso. O Iinocent, de 15 anos, promete tratar de tudo e estar atento às galinhas que adoram bicar tudo o que encontram. Elas têm até direito a passear dentro de casa e a dormir com os miúdos nos dormitórios…
Nunca te quero dizer adeus
[Será que cabe mais alguém?]

Já falámos tanto das boda-boda que não resistimos e aqui fica o retrato da aventura que é andar neste “piqueno” veículo de duas rodas. A Lina tem por hábito dizer que quem quiser fazer desportos radicais que esqueça o rappel, salto de parapente, rafting: venham mas é andar de boda-boda na capital do Uganda! É de dar frios na barriga (quando regressarmos a Portugal vamos colocar o vídeo desta emoção em duas rodas).
[Carlos Nsubuga Ssenyonjo, 11 anos]

Esta é a estória de um dos muitos meninos e meninas que moram no Orfanato de Bulenga.
Há três anos, num dia chuvoso, o Carlos foi encontrado inconsciente, quase a morrer afogado, numa vala da capital (Kampala). Foi o Patrick (um dos fundadores do orfanato) quem encontrou o Carlos e, a partir daí, com apenas 17 anos, adoptou-o legalmente – já que falharam todas as tentativas para encontrar a família do Carlos.
No Uganda, aos 16 anos é possível adoptar uma criança (legalmente, o Patrick, aos 20 anos, já é pai de dois miúdos).
Depois de ter sido retirado das ruas de Kampala pelo Patrick, o Carlos agarrou-se a todas as oportunidades. É um miúdo super inteligente que prefere fazer os trabalhos de casa a comer.
Esta semana, quase todos os dias, o Carlos foi perguntando à Lina por determinadas palavras em português. Primeiro quis saber como se dizia adeus. Noutro dia, quis saber como se dizia nunca e por aí fora.
Ontem à noite, de repente, o Carlos foi ter com a Lina e fez esta frase num português perfeito: “Nunca te quero dizer adeus”!
Mas as estórias que nos tocam não ficam por aqui e vamos continuar a contar tudo após o nosso regresso. Sexta-feira vamos acenar, não um adeus, mas um até breve. Queremos continuar a estar atentas a Bulenga.
Há poucos dias, o William, outros dos fundadores do Orfanato, dizia-nos: “não nos esqueçam porque eu ainda não estou preparado para vos esquecer”.
Já agora, os mosqueteiros baptizaram-nos com nomes da tribo Buganda, a maior das cerca de 60 tribos que povoam o Uganda. A Isolina Ribeiro passa a ser Lina Mukisa – que significa “abençoada” – e a Rita Colaço passa a ser Rita Nasali Mirembe – que significa “paz”.
Bem, esses novos nomes dão umas belas passwords !
Tás a ver Lina, ainda bem que o pai te ensinou a semear batatas !
Excelente a festa de anos, essa foi bem feita !
PS: Já agora, o bolo era de feijão?
Já algumas vezes estive para começar um comentário.. mas ainda não tinha escrito, porque as palavras vão ser sempre poucas para descrever o que esta “visita” ao Uganda representa certamente para a Lina e para a Rita, e muito menos ainda para as crianças, ou mesmo para nós que vemos isto de muito longe, confortavelmente sentados numa cadeira.. (que até dá para regular em altura.. apoio de braços..almofada para o pulso por causa do rato).. digo isto porque é aqui mesmo que provavelmente queria chegar..
O que interessam estas coisas, quando há pessoas que ficam felizes com aquilo que cabia na mala de viagem da Lina e da Rita! E mais, aquilo que não cabe lá, ou seja o que elas levavam no coração para dar também!!
Isto leva também a pensar que ao menos vão trazer muito de lá.. muitas coisas certamente e não vão pagar multa por excesso de bagagem nas companhias aéreas, porque o vão trazer novamente no coração.
A mim, cabe-me ver estas coisas e tentar relativizar os nossos “problemas”.. e agora deixando de lado o lado sério da coisa … à Lina cabe reduzir a Lista do não gosto: de chocolate que não está no frigorifico de peixe; etc.. etc….!
És grande Lina!
Ricardo
“Nunca te quero dizer adeus” já é uma mostra do difícil que vai ser deixar Uganda na 6ª feira, mesmo que a mim me pareça que, para estas duas tribais Bugandas, seja um até já…
Partem com uma certeza, durante duas semanas essas crianças viveram certamente momentos felizes que não vão esquecer.
Recebemos uma mensagem da Lina que nos dizia que amanhã, 5ª feira, dia 19, a Rita vai entrar em directo no noticiário da antena 1, a partir do Uganda, às 10 horas, hora portuguesa…
Ninguém vai parar estas duas e ainda bem …
Queridas Nasali e Mukisa, convosco, mais do que a comovente frase, conquistada, palavra a palavra, pelo Carlos Nsubuga, “nunca te quero dizer adeus”, só posso sentir-me orgulhoso porque DEUS ESTÁ E VAI CONTINUAR, DE FACTO, PRESENTE em Bulenga.
Assim apareçam outras Ritas e Linas para o demonstrar.
2
Claro que o mais fácil é dizer “se Deus existe por que permitiu a orfandade e abandono de todos os Carlos de todos os Ugandas?”
Não é fácil digerir mas acredito cada vez mais que os africanos, como nós, criarão as condições para dias cheios do calor de um outro SOL que tarda em brilhar.
É aí que melhor poderemos compreender o alcance destas outras sementes que a vossa solidariedade lançou à terra!
3
Que bom seria que a vossa decisão de atribuir o 15 de Março como marca identitária e aniversariante pudesse estender-se à marcação dessa data outra, a partir da qual o direito a ser feliz, a ter família, a construir um país pudesse ser uma URGENTE REALIDADE!
Ritinha,a Lina que me perdoe, mas começas a ter muitas contas que ajustar com o futuro:
-o futuro da Koreia do Norte
-o futuro de Bulenga
…QUEM VIRÁ A SEGUIR?
4
Para já,quem me dera ter os órfãos de Bulenga inteira no Vale das Árvores no próximo dia….9 de Maio!!!
Regressem bem!Não vai ser fácil.A mesma coragem que vos levou a partir, desejo esteja presente, agora, que vos preparais para regressar!
Um beijo enorme dos orgulhosos paizinhos para vocês, suas “bodas-bodas imparáveis”!!!!
antónio colaço
Todos os dias vejo o blog à espera de notícias… Adoro qd recebo msg da lina… A voz dela ao telefone retrata tudo… Rouca mas cheia de estórias e emoções para contar!
Ainda não tinha comentado porque estou mesmo sem palavras ao pé de tão grande aventura!
Força e como já foi dito aqui muitas vezes: Obrigada pela inspiração!
Não há palavras que descrevam o que duas meninas como vocês, que poderiam estar ao sol e a beber umas caipirinhas…no fundo preferiram conhecer o lado menos “rosa” da vida.
A Rita… pelo pouco que conheço se calhar era de esperar esta “loucura”, pelo espírito aventureiro…
Mas a minha menina…. apesar de coração de ouro não a estaria a imaginar nesta andança. Não porque seja uma menina de cidade que se iria assustar com o que ia encontrar… mas pela tal voz rouca qd fala ao telemóvel… pela doçura qd fala nos seus meninos e principalemnte no nó na garganta que tem sempre que fala em demonstrações de carinho dos teus pequeninos….logo tu que não és de muitos mimos nem mariquices…
Ensinaste tu a eles o que é um beijo… e eles ensinaram-te o qt um simples beijo pode significar tanto…
Querem vir contigo… querem-te para sempre….
Mas nós amiga minha temos saudades tuas e aí poderás sempre voltar… até pq… este é o teu mundo, esse o deles… e acredita que os teus meninos ao não conhecerem muito mais do que conhecem…. são felizes ao jeito deles.
Nós, por cá… estamos à vossa espera!
Eles, por aí… ficam à espera que voltem mas até lá terão mil e uma recordações a que se agarrar.
Beijo mt gd e mt doce para as duas e qt a “ti”… adooooooooooooooooro-te melhor amiga do mundo!
Ora então votos de boa viagem para a Nasali Mirembe e para a Mukisa !
Ouvi dizer que a British Airways andava a servir uns bolinhos de……………..isso, feijão !
Ganda Xana, beijos para ti !
Uma experiencia incrivel para quem vos acompanhou através dos vossos relatos e testemunhos……nem imagino a experiencia no terreno e o tanto que devem ter “bebido” e trazem na vossa bagagem e que ficou marcada nas vossas vidas.
Que essas vossas palavras sirvam para mais meninos e meninas por esse mundo fora tenham o que as duas deixaram às crianças de Bulenga.
Voces nao esquecem mas garanto-vos que para elas essas recordações serão muitas vezes o aconchego de uma noite dificil , a tábua de salvação em momentos criticos e o sorriso com que podem (no meio de tantas dificuldades) adormecer.
Grandes amigas Rita e Lina
Obrigada pela vossa experiencia
bjs e bom regresso pv
plantam-se sementes
desocultam-se ilhas de fogo
prova-se que o paraíso pode ser construído aqui
no bom crioulo guineense
diz-se que por muito tempo que um pau viva na água
nunca será crocodilo
o carlos é a razão
por que vale a pena tentar.
espero-vos de volta
Imagino como estarão as crianças ugandesas, a estas horas, despedindo-se de duas amigas, duas cidadãs do mundo que, solidárias, durante duas semanas as deixaram menos solitárias, com elas tendo partilhado sonhos, assim tornados realidade…
Oh! África, África, por quanto tempo mais terás de esperar que o fulgor dos teus adormecidos diamantes de uma vez por todas ofusque as empedernidas mentes de todos quantos à tua custa se banquetearam deixando atrás um rasto de orfandande, retardando a hora de os teus órfãos assumirem nas suas mãos o destino da sua Pátria?
“Nunca te quero dizer adeus”, mais do que uma lança em África deveria ser o grito que nos deveria fazer lançar, de forma permanente, a caminho de uma África lançada e finalmente libertada.
Boa viagem, Rita e Lina. Nem eu sei o que me apetece dizer a Deus….
antónio colaço
Não tenho muito jeito com as palavras, mas hoje tenho que dizer o que me vai na alma.
Hoje dei por mim a chorar.
Se no dia da tua partida para o Uganda te assombrava a ideia de poder não voltar, o meu coração estava calmo, porque Deus ajuda quem leva na mala coragem, bondade e felicidade para dar.
Hoje choro porque me coloco no lugar dessas crianças que vos vão ver partir e imagino o quão apertados deverão estar os seus coraçõezinhos. Por mais que alguém tentasse prepará-las, certamente, seria uma tarefa inglória. Como é que se diz a uma criança que alguém vai partir? Mesmo que tenham sido apenas 15 dias, mas 15 dias vividos com muita intensidade e cheios de experiências novas.
Serve de alento saber que existirem “3 mosqueteiros” que vivem para essas crianças. “3 mosqueteiros” que abdicaram de construir uma vida só sua e abraçaram estas 40 crianças e quantas mais se queiram juntar a eles….
Obrigada por terem partilhado esta experiência connosco.
Obrigada Rita pelos teus magníficos post’s, se o meu coração estava convosco em Bulenga, os meus olhos também puderam ver Bulenga!!!
Obrigada mana pela tua coragem e determinação.
Espero que esta experiência inspire muitas mais Linas e Ritas, porque o Mundo precisa e as Crianças merecem.
Rita e Lina, perdão, Nasali e Mukisa acabam de aterrar em Londres!Estão bem. Pela parte que nos diz respeito nem imaginam a recepção…. às 21 na Portela!!!
Imagino-as, agora, a caminho, não do Harrods, mas de Buckingham Palace ou, mesmo, do Nº10 de Downing Street convocando A Rainha, Gordon Brown, todo o mundo, enfim, para que não seja mais preciso passar 15 dias para perceber que o destino dos Ugandas de Africa tem direito a conhecer NOVOS DIAS.TODOS OS DIAS.
É só preciso um compasso de espera.
À pressa do nosso ocidental consumismo só precisamos de parar por um bocadinho para que eles, pelo menos, se ponham de pé e retomem o caminho!
Os Carlos só precisam de mais mil MOSQUETEIROS.
Eles são, como nós, tão INTEIROS!!!!
Bem vindas, filhas de África. Filhas do MUNDO!
antónio colaço